Argumento

Nesta pesquisa pretende-se estudar como se deu a retomada do cineclubismo na cidade do Rio de Janeiro. Quem o pratica e com quais intenções, o que motiva esta pratica social e como e se ela se reflete em outras esferas de relações.

A escolha do recorte na cidade do Rio de Janeiro se justifica pela importância histórica que a cidade tem para o movimento. Foi nela que surgiu o primeiro cineclube do país, o Chaplin Club, fundado em junho de 1928. Os cineclubistas do Estado do Rio de Janeiro compuseram a primeira Federação a se reorganizar após o golpe de 1968. Hoje o Rio é o estado mais expressivo em número de cineclubes depois de São Paulo.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Um debate sobre a regulamentação da atividade promovido pela ASCINE – RJ e o Festival de Cinema do Rio 2007

Setembro de 2007, no teatro do Centro Cultural da Justiça Federal.

Compunham a mesa, o presidente do CNC, o capixaba Antônio Claudino de Jesus, um dos diretores da ABD, o pernambucano Guilherme Whitaker e o paulista Leopoldo Nunes, chefe de gabinete da Secretaria do Audiovisual, para mediar Rodrigo Bouillet, um dos diretores da ASCINE – RJ.

A primeira fala foi do presidente do CNC, que fez um breve relato do histórico do movimento, enaltecendo a grande conquista de finalmente, com quase oitenta anos de atividade, ter seu reconhecimento por parte do governo federal, o que além de proteger as atividades, abre possibilidades para editais de fomento a abertura de novos cineclubes no território brasileiro.

Segundo o presidente do conselho, cineclube é uma entidade sem fins lucrativos que objetiva a formação de um público em defesa da soberania nacional. Uma entidade democrática na qual o centro da atenção não está nas estrelas do cinema e sim no seu público. “O cineclube é a cidadania do audiovisual nacional!” afirmava convicto Antônio Claudino de Jesus finalizando seu caloroso discurso de abertura da mesa.

O discurso de Claudino remonta uma inquietação expressa por Nestor Garcia Canclini (1984) em A socialização da arte, obra contemporânea da crise do cinema brasileiro que faz uma crítica ao modelo hollywoodiano que se impõe desde a produção audiovisual, passando pela sua distribuição e exibição, monopolizando todo o processo cinematográfico em panorama mundial.

Canclini discorre sobre a Induústria Cultural que ditou a classe comercial, determinando que deva se atender às necessidades das massas. E aponta que movimentos como Cinema Novo (Brasil) e Nouvelle Vague (Argentina) – 1960 – foram esforços em vão contra a eficácia da máquina comercial. Falta apoio econômico do Estado e a concorrência entre canais independentes planejados para a distribuição e as empresas norte-americanas é desigual, esclarece o autor.

A crise do cinema brasileiro no final dos anos 80 reduziu a atividade a um número tão ínfimo de cineclubes que não havia uma representatividade que justificasse a articulação nacional. A atividade foi considerada extinta e só em 1995 surgiu o movimento de repolitização do cinema brasileiro, que rearticulou o movimento cineclubista até a 24ª Jornada Nacional de Cineclubes.

Leopoldo Nunes, em nome da ANCINE (Agencia Nacional de Cinema) afirmou o interesse do governo federal em incentivar essa rearticulação e legitimação do movimento, reconhecendo a importância do papel do cineclube na formação do olhar e do imaginário coletivo.

Espera-se que este movimento estatal em relação aos cineclubes venha a minimizar os problemas apontados por Canclini. Os cineclubistas acreditam que, agora com o reconhecimento institucional, possam começar e a encarar a Indústria Cultural de frente e até judicialmente pelo direito de exibição. A primeira das brigas será pelo direito atemporal de exibição de filmes feitos com recursos da Lei do Incentivo Fiscal. “Se o filme é feito com dinheiro do povo, ele pertence ao povo”, disse o presidente do CNC.

A diretora da Riofilme, Germana Lúcia de Araújo, estava presente na platéia do evento. Em parceria com a ASCINE –RJ será feito um levantamento do público dos cineclubes associados e os dados serão públicos.

O não reconhecimento da atividade cineclubista pelo ECAD foi uma das discussões mais calorosas da noite, agora com reconhecimento institucional o ECAD não poderá mais “multar os cineclubes a torto e a direito”, segundo Whitaker.

Foi muito importante fazer esta primeira incursão começando pelo encontro com o movimento político da atividade. Assim foi possível contextualizar esta pesquisa com o atual momento e agora ir a campo observar se o discurso político do movimento cineclubista se confirma na atividade diária dos cineclubes cariocas.

1 comentários:

Leonardo Oliveira | 3 de abril de 2009 11:39  

Estive presente esse debate e como cineclubista fazendo uma análise depois de 2 anos vejo que o numero de cineclubes aumentou, muitos cuneclubes por falta de apoio fecharam e outros novos apareceram, mas a força política da movimentou cresceu e muito, hoje há um dialogo mais direto com o poder publico tanto municipal quanto estadual, e agora com o +Cultura, federal.
Outros problemas continuam, o ECAD continua multando os cineclubes, irracionalmente. E mesmo com a contabilização mensal do publico cineclubista e dos ingressos feitos com o apoio da Rio Filmes a ANCINE continua a desprezar esse publico, exemplo disso é a inexistência dos dados cineclubistas em seu site, mesmo existindo a Minuta que reconhece a existência dos Cineclubes.

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